CGU, PF e MPF apuram suspeitas de corrupção e desvio de recursos federais no Ceará

A Controladoria-Geral da União (CGU) participa de investigação que resultou na realização da Operação Rota Fantasma, pela Polícia Federal (PF), na manhã desta terça-feira (09/06). O trabalho, realizado em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), apura um suposto esquema de desvios de recursos públicos federais, corrupção e lavagem de dinheiro, em cidades do Ceará.  O nome da operação faz alusão aos contratos de transporte escolar celebrados entre os municípios e as empresas investigadas, por meio dos quais estariam ocorrendo os crimes investigados. Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nos municípios cearenses de Abaiara, Acopiara, Brejo Santo, Jaguaretama, Jaguaribe e Iracema. As medidas foram autorizadas pela Justiça Federal no Ceará. Entre os investigados estão servidores públicos e empresários. As instituições privadas suspeitas de envolvimento no esquema obtiveram contratos com mais de 15 municípios no estado do Ceará, somando  cerca de R$86 milhões de recursos públicos pagos às empresas. Do total, mais de R$22 milhões são de origem federal. Como denunciar  A CGU, por meio da Ouvidoria-Geral da União (OGU), mantém a plataforma Fala.BR para o recebimento de denúncias.  Quem tiver informações sobre esta operação ou sobre quaisquer outras irregularidades, pode enviá-las por meio de formulário eletrônico do sistema.  A denúncia pode ser anônima. Para isso, basta escolher a opção “Não identificado”.  O cadastro deve seguir as seguintes orientações: no campo “Sobre qual assunto você quer falar”, marque a opção “Operações CGU”; e no campo “Fale aqui”, inclua o nome da operação e a unidade da federação na qual ela foi realizada. Fonte: Controladoria-Geral da União

Exportações do setor batem recorde e reforçam protagonismo mundial

O algodão brasileiro segue ampliando sua relevância no comércio internacional e alcançou mais um resultado histórico em maio. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), o país embarcou 291,2 mil toneladas da fibra no mês, o maior volume já registrado para maio. As vendas renderam cerca de R$ 2,25 bilhões, reforçando a força de uma cadeia que se consolidou como uma das mais competitivas do agronegócio nacional. O desempenho ganha ainda mais relevância diante da expansão do mercado algodoeiro brasileiro nos últimos anos. O país disputa a liderança mundial das exportações da fibra e tem ampliado sua participação em mercados estratégicos da Ásia, principal destino da produção nacional. Com tecnologia, produtividade elevada e ganhos logísticos, o algodão deixou de ser uma cultura regional para se transformar em uma importante fonte de geração de renda e divisas para o país. Na comparação com maio de 2025, os embarques cresceram 51,5% em volume, enquanto o faturamento avançou 45,3%. Embora o resultado tenha ficado abaixo das 370,4 mil toneladas exportadas em abril, o setor considera o movimento compatível com a sazonalidade do mercado e sem impacto sobre o excelente desempenho da temporada. Com o resultado de maio, o Brasil ultrapassou a marca de 3,1 milhões de toneladas exportadas no acumulado da temporada 2025/26, iniciada em julho do ano passado. O volume representa um novo recorde para a cotonicultura nacional e confirma a crescente demanda internacional pela fibra produzida no país. Além dos números expressivos, o setor comemora a diversificação dos mercados compradores. Bangladesh liderou as importações em maio, absorvendo 21,1% dos embarques brasileiros. Na sequência aparecem Paquistão, com 19%, Turquia, com 14,2%, e Vietnã, com 13,4%. Juntos, Bangladesh e Paquistão responderam por aproximadamente 40% de todo o algodão exportado pelo Brasil no período. A mudança no perfil dos compradores também chama atenção. Tradicionalmente um dos principais destinos da fibra brasileira, a China respondeu por 9,6% das compras em maio, participação inferior à observada ao longo da temporada. A Índia também reduziu suas aquisições após alterações em sua política de importação. Para o setor, a capacidade de ampliar vendas para diferentes mercados demonstra a competitividade do produto brasileiro e reduz a dependência de poucos compradores. Leia Também: Ministro da Agricultura destaca trabalho da Embrapa: transformou o Brasil O algodão já ocupa posição de destaque entre os produtos exportados pelo agronegócio. Em maio, a fibra respondeu por 1,41% de todas as exportações brasileiras e figurou entre os principais produtos agropecuários embarcados pelo país. O resultado reflete os investimentos realizados pelos produtores em tecnologia, qualidade da fibra, sustentabilidade e rastreabilidade, fatores cada vez mais valorizados pelos mercados internacionais. Com a safra em expansão e a demanda global permanecendo aquecida, a expectativa do setor é de continuidade do bom desempenho nos próximos meses. O cenário reforça o protagonismo do algodão brasileiro no comércio mundial e consolida a cultura como uma das atividades mais dinâmicas e estratégicas do agronegócio nacional. Fonte: Pensar Agro

Confinamento avança no Brasil e amplia eficiência da produção de carne bovina

Impulsionado pela demanda internacional por carne bovina e pela busca por maior produtividade nas fazendas, o confinamento de bovinos segue avançando no Brasil. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) mostram que o sistema responde atualmente por cerca de 20% dos animais abatidos no país e registrou crescimento de 148% nas últimas duas décadas, consolidando-se como uma das principais estratégias de intensificação da pecuária nacional. O crescimento do confinamento acompanha a expansão do mercado global para a carne brasileira. Em 2025, o país exportou 3,5 milhões de toneladas e faturou mais de R$ 90 bilhões, o maior resultado da história do setor. Nos quatro primeiros meses de 2026, a receita das exportações já se aproximava de R$ 30 bilhões. Para atender uma demanda cada vez maior por carne padronizada, de qualidade e com fornecimento regular, sistemas intensivos de produção ganharam espaço nas principais regiões pecuárias do país. Nesse contexto, o confinamento ganhou protagonismo por permitir maior controle nutricional e acelerar o ganho de peso dos animais. Segundo pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisas Agronecuárias (Embrapa), bovinos terminados nesse sistema costumam ser abatidos entre 24 e 30 meses de idade, enquanto animais criados exclusivamente a pasto podem permanecer na propriedade por até 48 meses antes de atingir o peso ideal. A redução do ciclo produtivo aumenta a eficiência da atividade, melhora o giro do capital investido e amplia a capacidade de produção das fazendas. Outra vantagem apontada por especialistas é o aumento da produtividade por hectare. Ao concentrar a fase final de engorda em áreas menores e com alimentação planejada, o pecuarista consegue utilizar melhor as pastagens disponíveis e destinar parte das áreas para recuperação, integração lavoura-pecuária ou outras atividades produtivas. O modelo é frequentemente citado como uma das ferramentas que permitiram à pecuária brasileira ampliar a produção nas últimas décadas sem crescimento proporcional da área ocupada. Na prática, o confinamento é mais utilizado durante o período seco do ano, quando a qualidade e a disponibilidade das pastagens diminuem. A estratégia garante regularidade no fornecimento de animais para os frigoríficos e contribui para atender às exigências dos mercados consumidores, especialmente no segmento exportador, que demanda padronização de carcaças, qualidade da carne e previsibilidade de entrega. O crescimento do sistema, no entanto, também tem gerado debates sobre bem-estar animal e gestão ambiental. Entidades de proteção animal defendem regras mais específicas para o setor, enquanto representantes da cadeia produtiva destacam que os confinamentos modernos operam sob protocolos sanitários rigorosos e padrões de manejo cada vez mais exigidos pelos mercados nacionais e internacionais. Leia Também: Comissão do Senado vota hoje PL que regulamenta agrotóxicos Para especialistas da pecuária, a tendência é que o confinamento continue avançando nos próximos anos, impulsionado pela necessidade de produzir mais carne em menos espaço, aumentar a competitividade do setor e atender à crescente demanda global por proteína animal. Em um país que ocupa posição de liderança mundial no mercado de carne bovina, a intensificação produtiva é vista como um dos principais caminhos para sustentar o crescimento da atividade e fortalecer a presença brasileira no comércio internacional. Fonte: Pensar Agro

Após impactos das chuvas, agricultura familiar recebe R$ 5,58 milhões hoje

Com nove dos 15 municípios de Roraima em situação de emergência, cerca de 49 mil pessoas afetadas e dezenas de comunidades isoladas pelas enchentes, o Governo Federal anunciou nesta terça-feira (09.06) um pacote de R$ 5,58 milhões para fortalecer a agricultura familiar, apoiar povos indígenas e ampliar ações de segurança alimentar no estado. Os recursos serão destinados à compra de alimentos produzidos por agricultores familiares, pescadores artesanais e comunidades tradicionais, além de atender regiões impactadas pelas fortes chuvas. O maior aporte, de R$ 5,08 milhões, será aplicado por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), permitindo a compra de aproximadamente 1,1 mil toneladas de produtos da agricultura familiar. A operação será realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e deverá beneficiar tanto os produtores rurais quanto famílias em situação de vulnerabilidade social. Outros R$ 500 mil serão destinados a ações emergenciais em comunidades indígenas e municípios atingidos pelos temporais. As chuvas vêm provocando transtornos em diversas regiões do estado. Segundo o governo de Roraima, há dezenas de pontos críticos monitorados, bloqueios em rodovias e estradas vicinais e comunidades isoladas, especialmente em áreas indígenas. Em algumas localidades, a elevação dos rios comprometeu o transporte de pessoas, o escoamento da produção agrícola e o abastecimento de alimentos. Para o setor agropecuário, os recursos anunciados representam uma tentativa de manter a circulação de renda no campo em um momento de dificuldades logísticas. A compra institucional de alimentos garante mercado para pequenos produtores e ajuda a reduzir os impactos econômicos provocados pelas restrições de acesso às áreas rurais. A expectativa é que a aquisição dos produtos fortaleça cadeias locais ligadas à mandioca, hortaliças, frutas, pescado e outros alimentos produzidos pela agricultura familiar. A agenda também prevê a entrega de três mini colheitadeiras do Programa Arroz da Gente e kits do Programa Mecaniza Mais para organizações indígenas e assentamentos da reforma agrária. Os equipamentos deverão contribuir para o aumento da produtividade e para a modernização das atividades agrícolas desenvolvidas pelas comunidades beneficiadas. Fonte: Pensar Agro

Exercício ilegal da Medicina Veterinária passa a ser crime no Brasil; nova lei prevê até prisão

Brasília – O exercício ilegal da Medicina Veterinária passou a ser considerado crime no Brasil a partir desta segunda-feira (8). A mudança foi oficializada com a entrada em vigor da Lei nº 15.425/2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União, alterando o artigo 282 do Código Penal. A nova legislação prevê pena de detenção de seis meses a dois anos para quem atuar como médico-veterinário sem autorização legal, mesmo que a atividade seja realizada de forma gratuita. A norma inclui a Medicina Veterinária entre as profissões protegidas pelo Código Penal, ao lado da Medicina, Odontologia e Farmácia. Até então, o exercício irregular da atividade era enquadrado principalmente como contravenção penal, situação que, segundo entidades da categoria, deixava uma lacuna na proteção da saúde animal e da saúde pública. De acordo com o novo texto legal, também poderá ser responsabilizado criminalmente o profissional que continuar atuando durante período de suspensão ou após o cancelamento do registro profissional. A legislação estabelece ainda agravantes quando a prática ilegal resultar em consequências mais graves. Nos casos em que houver lesão corporal grave ou gravíssima em pessoas, o infrator responderá também pelos crimes correspondentes previstos no Código Penal. Se houver morte, poderá responder por homicídio. Quando a atuação irregular causar lesão ou morte de animais, também será aplicada a legislação de crimes ambientais. A medida atinge uma das maiores categorias profissionais da área da saúde no país. Dados do Sistema CFMV/CRMVs mostram que o Brasil possui mais de 200 mil médicos-veterinários registrados, dos quais cerca de 166 mil estão em atividade. Além do atendimento clínico de animais, esses profissionais atuam em mais de 80 áreas, incluindo sanidade dos rebanhos, defesa agropecuária, inspeção de alimentos de origem animal, vigilância epidemiológica e controle de zoonoses. No agronegócio, o trabalho dos médicos-veterinários é considerado estratégico para a manutenção da saúde animal e da credibilidade sanitária brasileira, fator essencial para um país que possui o maior rebanho comercial bovino do mundo e figura entre os principais exportadores globais de carnes bovina, suína e de frango. Para a presidente do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Ana Elisa Almeida, a sanção representa um avanço para a proteção da sociedade. Em nota divulgada pela entidade, ela afirmou que a medida não se restringe à defesa da profissão, mas fortalece a segurança da população, a saúde animal e a prevenção de riscos sanitários. A mudança ocorre em um momento em que a Medicina Veterinária tem papel cada vez mais estratégico para o agronegócio brasileiro. Além do atendimento clínico de animais de companhia, os profissionais atuam diretamente na sanidade dos rebanhos, inspeção de alimentos de origem animal, controle de zoonoses e vigilância epidemiológica. O Brasil possui um dos maiores rebanhos comerciais do mundo, com mais de 238 milhões de bovinos, além de liderar as exportações globais de carne bovina e de ocupar posição de destaque na produção de aves e suínos. Especialistas do setor avaliam que a nova legislação pode reforçar a segurança sanitária das cadeias produtivas, especialmente em um cenário de crescente exigência dos mercados internacionais por rastreabilidade, bem-estar animal e controle sanitário rigoroso. O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), disse que a criminalização do exercício ilegal da Medicina Veterinária fortalece não apenas a categoria profissional, mas toda a cadeia produtiva do agronegócio brasileiro. “A sanidade animal é um dos pilares que sustentam a competitividade do agro nacional. Quando uma pessoa sem habilitação técnica atua em procedimentos veterinários, ela coloca em risco a saúde dos animais, compromete a produtividade das propriedades rurais e pode gerar impactos econômicos para todo o setor. A nova legislação traz mais segurança jurídica e reforça a importância da qualificação profissional em uma atividade estratégica para o país”, afirmou. Segundo Rezende, a medida também contribui para preservar a credibilidade sanitária brasileira diante dos mercados internacionais. “O Brasil conquistou posição de liderança global na produção e exportação de proteínas animais graças a um rigoroso sistema de controle sanitário. Os médicos-veterinários desempenham papel fundamental nesse processo, desde a prevenção de doenças até a inspeção dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores. Ao combater o exercício ilegal da profissão, o país fortalece a confiança dos compradores internacionais e protege um patrimônio que é de todos os brasileiros: a excelência da nossa agropecuária”, destacou. Leia Também: Comissão aprova projeto que reforça segurança e combate ao avanço do crime no campo Isan também destacou que a valorização dos médicos-veterinários se soma ao reconhecimento de milhares de profissionais que atuam diariamente nos bastidores da produção agropecuária brasileira. “Quando falamos do sucesso do agronegócio brasileiro, muitas vezes os holofotes estão voltados para os números recordes de produção e exportação. Mas existe um exército de profissionais que trabalha longe das manchetes e que é fundamental para que o Brasil mantenha seu protagonismo mundial. Médicos-veterinários, engenheiros agrônomos, técnicos, pesquisadores, fiscais, profissionais da defesa agropecuária e tantos outros são os verdadeiros guardiões da qualidade, da sanidade e da segurança dos nossos alimentos”, afirmou o presidente do Instituto do agronegócio. “A edição de maio da Revista Pensar Agro (clique aqui e leia em português ou inglês) – que na edição anterior, alcançou a marca de 13.140 leitores distribuídos em 58 países –  prestou uma justa homenagem a esses profissionais que sustentam, com conhecimento e dedicação, uma das atividades mais importantes da economia brasileira. Valorizar esses profissionais é valorizar o futuro do agro e a credibilidade do Brasil perante o mundo”, completou Rezende. Segundo a legislação, a criminalização alcança tanto pessoas sem formação e registro profissional quanto aquelas que excedam os limites de sua habilitação legal. Um exemplo seria um zootecnista, técnico agrícola ou outro profissional do setor que realize procedimentos privativos do médico-veterinário, como diagnósticos clínicos, prescrição de medicamentos veterinários, cirurgias ou emissão de documentos sanitários para os quais não possui autorização legal. Nesses casos, a atuação pode ser enquadrada como exercício ilegal da Medicina Veterinária. Fonte: Pensar Agro

APAE de Ponta Porã convoca associados para Assembléia Geral Ordinária

A APAE de Ponta Porã Convoca todos os associados para comparecimento em Assembleia Geral Ordinária a ser realizada na sede da instituição, localizada na Rua Baltazar Saldanha, n. 100, centro, nessa terça-feira, dia 9, as 17h30min. Na ocasião, seguindo a ordem do dia: apresentação de relatório de atividade 2025 e prestação de contas da diretoria executiva 2025.

Importância da leitura na infância, por Wilson Aquino

Wilson Aquino* O incentivo à leitura na infância é um dos maiores presentes que os pais podem oferecer aos filhos. Muito além da formação escolar, o hábito de ler ajuda a moldar o caráter, desperta a criatividade, amplia horizontes e influencia diretamente o futuro profissional e humano das pessoas. Num país onde os índices de leitura ainda estão entre os menores da América Latina, é urgente que famílias, escolas, igrejas e instituições sociais compreendam a importância dessa missão. O gosto pelos livros não nasce por acaso. Ele é cultivado dentro de casa, pelo exemplo, pelo incentivo e pelo ambiente criado pelos pais. As crianças são naturalmente abertas ao conhecimento, aos valores morais e aos princípios espirituais. Cabe aos adultos aproveitar essa fase preciosa da vida para apresentar-lhes o universo da leitura, da reflexão e do aprendizado. Pequenos hábitos adquiridos na infância podem fazer enorme diferença no futuro, inclusive na linha tênue que muitas vezes separa o sucesso do fracasso. Quando volto meus pensamentos para os anos dourados de nossa infância em Corumbá, a querida Cidade Branca, reencontro com nitidez dois irmãos inseparáveis sentados diante de livros ainda antes do amanhecer, enquanto a cidade permanecia mergulhada no silêncio da madrugada. Rubens Aquino e eu fomos privilegiados pelo exemplo de nossos pais, Manoel Dantas de Oliveira e Dair Aquino de Oliveira. Nosso pai, militar da Marinha do Brasil, um baiano corajoso que escolheu Corumbá para construir sua história e formar sua família, ensinou-nos desde cedo o valor da disciplina, da honestidade e do conhecimento. Todos os dias, rigorosamente às quatro horas da manhã, o velho despertador tocava. Nosso pai se levantava conosco e nos acompanhava à mesa de estudos para ler seus jornais e livros preferidos. Enquanto muitos ainda dormiam, lá estávamos nós, ainda meninos, mergulhados nas páginas da Barsa, em livros de aventuras, romances, ficção e histórias que alimentavam nossa imaginação. Antes disso, porém, vinham os exercícios físicos no quintal e o tradicional banho gelado para despertar o corpo e a mente. O aprendizado deixava de ser obrigação e passava a ser prazer na medida em que descobríamos novos mundos, personagens e aventuras. Talvez, sem percebermos, ali estivessem nascendo o jornalista, o professor e o escritor que ambos nos tornaríamos anos depois. Nosso pai possuía hábitos simples, mas grandiosos. Religiosamente, às 18 horas, sentava-se para ouvir “A Voz do Brasil”. O rádio era uma verdadeira janela para o mundo. E foi justamente naquele velho aparelho que Rubens e eu descobrimos as historinhas infantis transmitidas diariamente, aventuras que mexiam profundamente com nossa criatividade. Naquele tempo,  anos 60, a televisão ainda não havia chegado à nossa querida Corumbá. Hoje percebo que talvez isso tenha sido uma bênção. Sem telas aprisionando nossa atenção, nossa imaginação ganhou asas. O rádio, os livros e o cinema tornaram-se ferramentas poderosas para libertar nossas mentes e ensinar-nos a criar mundos inteiros dentro da cabeça. Com muito esforço e economizando cada moeda possível, conseguimos montar um pequeno acervo de livros adquiridos pelo antigo sistema de Reembolso Postal. E como sonhávamos… Na Rua 21 de Setembro, número 350, nossa casa transformava-se todas as noites num verdadeiro ponto de encontro. Nossos pais e os vizinhos sentavam-se nas cadeiras da calçada interna para conversar sobre a vida, enquanto nós, as crianças, brincávamos e dávamos asas à imaginação. Meninos e meninas da rua queriam mesmo era ouvir nossas histórias. Rubens sempre foi extraordinário nisso. Muito melhor do que eu na criação de personagens, nos diálogos, nos mistérios e nos enredos emocionantes. Ele conseguia transformar qualquer pequena ideia em aventuras fantásticas. Bastava ouvir algo no rádio, assistir a um filme no cinema ou ler algumas páginas de um livro para que sua mente criativa começasse imediatamente a construir novos universos. E eu, fascinado, acompanhava tudo aquilo, aprendendo também a sonhar através das palavras. Hoje compreendo que não eram apenas brincadeiras de infância. Eram ensaios silenciosos para aquilo que nos tornaríamos na vida adulta: dois irmãos apaixonados pela leitura, pela comunicação e pelas histórias humanas. A literatura entrou em nossas vidas muito antes de entendermos seu verdadeiro valor. Ela chegou pela disciplina de um pai simples e sábio. Pelo amor de uma mãe dedicada. Pelos livros manuseados ainda com mãos infantis. Pelo rádio que encantava nossas noites. Pelo cinema que ampliava nossos horizontes. E pelas rodas de crianças da Rua 21 de Setembro, onde aprendemos que contar histórias também é uma forma de tocar corações. Hoje, olhando para trás, percebo que nossa infância foi rica não pelos bens materiais, mas pela abundância de sonhos, princípios, valores e imaginação. E talvez seja justamente por isso que as lembranças daquela época continuem tão vivas, tão doces e tão eternas dentro de nós. Mais do que recordar o passado, escrevo este artigo como um apelo aos pais desta geração. Leiam para seus filhos. Incentivem-nos a descobrir o prazer dos livros. Contem histórias. Desliguem um pouco as telas. Criem momentos de convivência, diálogo e imaginação dentro de casa. Porque crianças que aprendem a amar a leitura dificilmente caminharão vazias por dentro. Os livros não apenas informam. Eles iluminam caminhos, despertam sonhos e ajudam a construir seres humanos melhores. *Jornalista, Professor e Escritor

PF investiga fraudes na obtenção de financiamentos rurais no Tocantins

Palmas/TO. A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (9/6), a Operação Terra Falsa, com o objetivo de apurar um suposto esquema de fraudes na obtenção de financiamentos rurais junto a uma instituição financeira privada. Policiais federais cumpriram três mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Tocantins, em Palmas. As investigações apontam que um ex-funcionário do banco teria inserido informações falsas nos sistemas internos da instituição, possibilitando a concessão irregular de créditos milionários. Além das buscas, a Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens de oito investigados, incluindo imóveis urbanos, fazendas, veículos, ativos financeiros, aplicações e outros bens sujeitos a registro, até os montantes aproximados de R$ 141,7 milhões e US$ 400 mil. Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de obtenção de financiamento mediante fraude, de lavagem de dinheiro e de associação criminosa. Comunicação Social da Polícia Federal no TocantinsFones: (63) 3236-5445 / 99101-1391E-mail: cs.srto@pf.gov.br   Fonte: Polícia Federal

Coronel David leva brinquedoteca a crianças acolhidas e transforma histórias em Coronel Sapucaia

Nem toda emenda parlamentar pode ser medida apenas em números. Algumas se traduzem em sorrisos, descobertas e novas oportunidades para crianças que enfrentaram momentos difíceis. É o caso do recurso destinado pelo deputado estadual Coronel David (PL) para a implantação de uma brinquedoteca na Casa Acolhida de Coronel Sapucaia, iniciativa que amplia o cuidado oferecido às crianças acolhidas e reforça o apoio às famílias que buscam recomeçar suas histórias com dignidade e esperança. Durante agenda no município, o parlamentar visitou a instituição e conheceu de perto o espaço onde será montada a brinquedoteca. A visita foi acompanhada por sua esposa, Dra Ana Arminda, pela secretária municipal de Assistência Social, Jane Célia, pela coordenadora da entidade Dra. Ozana Ferreira, pelo vice-prefeito Carlão e importantes lideranças locais. Coronel David destacou a importância de investir em ações que impactam diretamente a vida das pessoas. “Quando investimos em uma criança, investimos no futuro. E quando oferecemos acolhimento, carinho e oportunidades, ajudamos a reconstruir histórias e fortalecer famílias”, afirmou. A agenda teve início com reunião entre o deputado, o vice-prefeito Carlão e secretários municipais para alinhamento de demandas e fortalecimento de parcerias voltadas ao desenvolvimento do município. Ao longo do mandato, Coronel David destinou recursos por meio de emendas parlamentares para Coronel Sapucaia, promovendo investimentos em áreas essenciais. Na educação, os recursos viabilizaram a aquisição de notebooks, contribuindo para a modernização do ensino e o fortalecimento das atividades pedagógicas. Na saúde, foram destinados valores para o custeio de ações e serviços, ampliando a capacidade de atendimento à população. Já na assistência social, o parlamentar garantiu a implantação de uma brinquedoteca, iniciativa voltada ao bem-estar emocional, à inclusão e ao desenvolvimento integral de crianças em situação de vulnerabilidade. Para o parlamentar, cada recurso deve ser transformado em benefícios concretos para quem mais precisa. “Nosso compromisso é fazer com que o dinheiro público se transforme em ações que melhorem a vida das pessoas. E poucas coisas são mais gratificantes do que ver crianças sendo acolhidas com dignidade, carinho e oportunidades para sonhar”, ressaltou David.

Lia Nogueira defende atendimento 24 horas para mulheres durante lançamento da Sala Lilás

“Nenhuma mulher deve morrer por dizer não.” Foi com essa mensagem que a deputada estadual Lia Nogueira (PSDB) reforçou, em Fátima do Sul, a importância de ampliar a rede de proteção às mulheres vítimas de violência. A fala ocorreu durante o lançamento da Sala Lilás, espaço criado para acolher vítimas com mais privacidade, escuta e encaminhamento dentro da rede de atendimento do município. A Sala Lilás oferece um ambiente reservado para o primeiro atendimento, justamente quando a mulher precisa falar sobre o que viveu, muitas vezes ainda tentando vencer o medo, a vergonha e a culpa que acompanham tantas situações de violência. Em vez de relatar essa dor em um espaço comum, ela passa a contar com um local preparado para ouvir, orientar e encaminhar com mais cuidado. Para Lia Nogueira, a entrega representa um avanço para Fátima do Sul e reforça a importância de uma rede cada vez mais preparada para acolher a vítima no momento em que ela decide pedir ajuda. A deputada também destacou que essa proteção precisa avançar em outras frentes, entre elas a ampliação do atendimento especializado 24 horas para mulheres nas principais cidades do interior. A parlamentar lembrou que lutou pelo atendimento em regime permanente na DAM, Delegacia de Atendimento à Mulher de Dourados, e defende que o modelo deve avançar para outros municípios estratégicos de Mato Grosso do Sul. Segundo Lia Nogueira, a violência contra a mulher não escolhe horário, por isso o Estado precisa garantir resposta também à noite, nos fins de semana e feriados. “Assim como batalhamos pelo atendimento 24 horas em Dourados, estamos batalhando por outras cidades. Não estamos falando de custo, mas de investimento na vida, de salvar mulheres”, afirmou Lia Nogueira. Essa resposta, defendida por Lia Nogueira, começa no acolhimento feito no município. Para Paula Beatriz Nunes da Costa, coordenadora municipal do CRAM (Centro de Referência e Atendimento à Mulher) a Sala Lilás ajuda a vítima a encontrar segurança em uma situação delicada. “É um momento tão difícil e não precisa ser enfrentado sozinha”, afirmou. Segundo Paula, o espaço permite que a mulher “se sinta segura para falar sobre o que está vivendo.” A partir desse acolhimento, a vítima pode ser encaminhada para apoio psicológico, orientação social, acompanhamento pelo CRAM, atendimento na saúde, suporte jurídico e órgãos de segurança pública, conforme a necessidade de cada caso. O objetivo, segundo Paula, é “construir junto com ela um plano de enfrentamento à violência.” O delegado Cristiano André Hein, titular da Primeira Delegacia de Polícia de Fátima do Sul, também reforçou a importância de um atendimento que preserve a vítima. “A diferença está principalmente na privacidade, numa escuta mais qualificada e no cuidado para que a mulher não se sinta exposta, julgada ou obrigada a reviver a violência.” Conforme Cristiano, a forma como a mulher é recebida pode fazer diferença no caminho que ela decide seguir. “Muitas chegam com medo, vergonha e culpa. Um atendimento frio pode fazer com que ela desista. Um atendimento humanizado pode ser decisivo para que ela confie na polícia e siga com a denúncia.” Os dados mostram a urgência dessa rede. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 39 feminicídios e mais de 21,9 mil ocorrências de violência doméstica. Neste ano, já são 12 feminicídios e mais de 9 mil registros de violência doméstica no Estado. Para Lia Nogueira, cada caso mostra que a proteção precisa chegar antes do pior desfecho. “Quando uma mulher é assassinada pelo fato de ser mulher, significa que, por mais que Estado e sociedade tenham avançado, ainda estamos falhando”, afirmou.